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Alimentação natural para pets: por que ela não vem do prato do tutor

Veterinária explica por que comida do prato do tutor não é alimentação natural e como o excesso de gordura e temperos podem causar pancreatite, problemas renais e desequilíbrios nutricionais em cães e gatos.

Dividir a refeição com o pet costuma parecer um gesto de carinho. Um pedaço de carne aqui, uma sobra ali. Afinal, se é comida “de verdade”, deve ser melhor do que ração industrializada. Nem sempre. Quando o assunto é alimentação natural para cães e gatos, a linha entre cuidado e risco pode ser mais tênue do que parece.

Segundo a médica-veterinária da Pet Delícia, Yeda Markowitsch, a ideia de oferecer alimentos frescos aos animais faz sentido, e, quando bem-feita, pode trazer diversos benefícios. O problema é a confusão entre alimentação natural balanceada e comida do prato do tutor. Embora pareçam semelhantes, elas são completamente diferentes do ponto de vista nutricional.

“A alimentação natural de verdade é formulada por médico-veterinário e leva em conta as necessidades específicas de cada animal. Ela inclui quantidades adequadas de proteínas, gorduras, aminoácidos, vitaminas e minerais. Já a comida do prato do tutor, além de conter temperos e ingredientes tóxicos, quase sempre é nutricionalmente desbalanceada para cães e gatos”, explica.

Essa diferença também se reflete no mercado. O segmento de pet food natural movimentou R$ 71,15 bilhões em 2024 e deve alcançar R$ 146,71 bilhões até 2033, segundo a Research Intelo, impulsionado por receitas desenvolvidas especificamente para cães e gatos, e não pela simples adaptação da comida humana.

Mesmo alimentos aparentemente saudáveis para humanos podem causar desde distúrbios gastrointestinais até doenças graves. “O desbalanceamento nutricional e o excesso de gordura e temperos podem provocar gastroenterite, pancreatite, além de, a longo prazo, comprometer a imunidade, gerar problemas ósseos, queda de pelo e até alterações renais e cardíacas”, alerta Yeda.

A veterinária ainda reforça que muitos erros acontecem justamente em situações cotidianas, quando o tutor não percebe o risco. “O organismo do animal não foi feito para lidar com grandes quantidades de gordura. A pancreatite aguda, por exemplo, é um problema comum quando o tutor oferece carne muito gordurosa, algo que acontece com frequência em momentos de confraternização, como churrascos”, afirma.

Dá para preparar a comida do pet em casa?

Sim, mas não no improviso. A preparação de refeições caseiras só é segura quando feita com acompanhamento de um médico-veterinário nutrólogo, responsável por formular a dieta de forma adequada. “O cálculo nutricional leva em conta idade, peso, nível de atividade, possíveis doenças e até características individuais do animal. Sem isso, o risco de deficiência de nutrientes como cálcio, fósforo, zinco, taurina e vitaminas é muito alto”, explica a especialista.

A orientação, segundo Yeda, é buscar sempre acompanhamento profissional e fazer a transição alimentar de forma gradual. “A introdução deve acontecer aos poucos, com planejamento e equilíbrio nutricional. Assim, o tutor consegue oferecer os benefícios da alimentação natural sem causar desconfortos gastrointestinais ao animal”, conclui.

Veja alguns alimentos comuns podem ser perigosos para cães e gatos

O que faz parte da rotina alimentar humana nem sempre é seguro para os pets. Alguns ingredientes bastante comuns à mesa oferecem riscos diretos à saúde dos animais:

Alho e cebola: podem levar à anemia hemolítica, pois destroem os glóbulos vermelhos.

Chocolate: contém uma substância chamada teobromina, que os animais não metabolizam e, por isso, é tóxica ao organismo.

Café: estimula excessivamente o organismo do animal, podendo levar à convulsão e até à morte.

Uva e uva passa: contém tanino, que pode provocar insuficiência renal aguda.

Gorduras em excesso: o organismo não consegue metabolizar e pode causar pancreatite aguda. É o caso do famoso churrasco, quando alguns responsáveis oferecem muita carne gordurosa ao animal.

Leite: muitos animais são intolerantes à lactose, o que pode gerar gases e diarreia.

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