Animais exóticos e silvestres

Eles ganham cada vez mais espaço no universo pet nacional.

Um é silencioso, o outro um verdadeiro “tagarela”. O primeiro é tranquilo e dá pouco trabalho. Já o segundo é agitado e pede atenção do tutor. Dois animais bem diferentes, mas com duas características em comum: têm grande expectativa de vida e estão fazendo sucesso entre pet lovers. O Jabutipiranga, que pode chegar aos 60 kg, e o Papagaio do Congo, uma ave originária da África, e os já famosos minipigs crescem em popularidade no mercado pet brasileiro e podem ser boas escolhas como animais de estimação. Conheça as particularidades desses “pets”.

 

Papagaio do Congo

Penas cinzas no corpo, bico preto e cauda com penas vermelhas e brilhantes compõem o visual do exótico Papagaio do Congo, também conhecido como papagaio-cinzento. Apesar da beleza, o que mais chama a atenção é sua capacidade de imitação e inteligência. “Além de imitar sons ouvidos com frequência, a ave é capaz de falar muitas palavras e fazer vários truques com o treinamento correto.

Alguns estudos demonstram que ela é capaz de aprender cerca de mil palavras”, comenta Luiza Prado Mariani, veterinária responsável pelo atendimento de animais exóticos e silvestres no pet center HiperZoo. O exemplar mais famoso, o papagaio Alex, que pertenceu à pesquisadora norte-americana Irene Pepperberg, era capaz de identificar 50 objetos, sete cores e contar até seis. Sua inteligência correspondia à de uma criança de 5 anos.

A esperteza da ave é tanta que chega a usar artimanhas para despertar a atenção. “Muitos tutores relatam que suas aves imitam sons e frases para conseguirem o que desejam. Um deles, por exemplo, aprendeu a imitar o choro do filho pequeno para fazer com que seu tutor brinque com ele também”, revela a sócia-proprietária do HiperZoo, Patrícia Maeoka. Outras características do Papagaio do Congo são sua afetividade e sociabilidade com humanos e outros animais.

A comerciante Luana Alves Patrício, tutora de uma ave de apenas dois meses de idade, relata: “Temos uma cachorrinha da raça Yorkshire Terrier e as duas brincam juntas. A Adália também nos acompanha em nossa loja e interage com os clientes e os cães que temos lá. Ela é muito curiosa e presta a atenção em tudo e em todos.”

Quem quiser ter uma ave como essa precisa envolver a família, pois ela costuma viver entre 60 e 80 anos. Ela também requer bastante tempo de atividade fora da gaiola, no mínimo seis horas diárias, e uma grande quantidade de brinquedos para se distrair e mastigar, exercitando assim sua mandíbula.

A gaiola onde vive deve ser limpa todos os dias e seus recipientes de água e comida lavados com água morna. O tamanho da gaiola deve permitir que o animal abra suas asas sem encostar nas grades e, preferencialmente, possa se movimentar bem ali dentro. É importante lembrar que, quando o papagaio estiver sozinho em casa, deve ficar na gaiola, pois é um animal curioso e pode mexer e bicar algo que possa feri-lo, como fios elétricos, por exemplo.

O corte das unhas também é importante e deve ser realizado a cada seis meses por um profissional habilitado. Assim, evita-se o quebramento errado, que causa sangramentos ou acidentes com seus tutores.

A alimentação indicada é ração extrusada com frutas e verduras, mas os Papagaios do Congo também gostam de petiscos, por isso podem ser oferecidas frutas e verduras frescas, sementes e ovos cozidos para agradá-los e equilibrar a alimentação. Eles costumam ter entre 28 e 39 cm e chegam a pesar 400g.

 

Jabutipiranga

Para quem prefere um animalzinho mais independente, o charmoso Jabutipiranga, tartaruga terrestre que possui escamas avermelhadas na cabeça e patas, pode ser uma excelente opção. A espécie gosta de interagir com os tutores e não exige atenção por muito tempo. Pode passar boa parte do dia no jardim de casa, desde que observada a temperatura e condições climáticas.

Os momentos ao sol são de extrema importância para ativar a vitamina D e o cálcio adquirido na alimentação. A falta desses nutrientes pode causar deformação em cascos e ossos na fase de desenvolvimento ou causar uma doença ósseo metabólica muito dolorida. “É importante ressaltar que a exposição ao sol deve ser direta, pois o vidro filtra os raios ultravioleta”, alerta a veterinária. Nos dias nublados, o indicado é deixá-los expostos a lâmpadas ultravioleta de 30 minutos a uma hora.

O terrário também deve conter iluminação artificial, preferencialmente que emita raios UVA e UVB, e espaço de no mínimo oito vezes o tamanho da carapaça no comprimento, quatro vezes na largura e duas vezes na altura. A alimentação é à base de ração própria e deve ser complementada com frutas como uva, banana, maçã e pêra; verduras como couve e almeirão; carne moída crua com suplementação de cálcio e água à vontade.

Ao contrário do que a maioria das pessoas acredita, o jabuti não entra em processo de hibernação. É um animal ectotérmico, ou seja, sua temperatura corporal depende da temperatura externa, pois não consegue produzir calor e se esquentar. Durante o clima frio, se não ficarem em ambiente aquecido, sua temperatura corporal e metabolismo baixam, parecendo hibernar. “Muitas vezes ficam sem se alimentar porque não conseguem se movimentar e um longo período sem alimentação pode gerar graves problemas de saúde, desde desnutrição até uma pneumonia”, alerta a médica. O ambiente ou terrário deve ser mantido com temperatura entre 26°C e 30°C, durante o dia, e de 22°C a 26°C, à noite.

Os jabutis convivem bem com crianças e outros animais, mas é preciso cuidado durante essa interação, pois são animais sensíveis e podem se machucar com quedas ou perfurações, como mordidas, por exemplo. A carapaça e o plastrão (parte inferior do casco) têm a função de proteger os órgãos internos e uma perfuração ou fratura pode deixar os órgãos expostos levando a sangramentos ou infecções. Outro risco comum à espécie são os atropelamentos, que acontecem principalmente dentro dos quintais das casas. Os jabutis atingem a vida adulta com cinco anos e podem chegar a 70 cm de comprimento e 60 kg. Se bem cuidados, podem alcançar 80 anos de idade.

 

Minipigs

Que os pets se tornaram membros da família não é novidade, no entanto, o que ainda é uma novidade é ter porquinhos como pets. Um dos pontos mais importantes a serem questionados por tutores é a respeito da legislação do país, que ainda precisa passar por um processo de legalização de criação de suínos como animais de estimação e não como animal de produção e abate como acontece em muitas cidades brasileiras.

O mais novo tipo de animalzinho que tem ganhado o coração dos brasileiros são os minipigs, que além de serem uns amores, são supercarinhosos e pequenos, e possuem, em média 30 a 40 cm, quando adultos, pesando de 20 a 50 kg, sendo que um porco normal pode chegar a pesar até 500 kg e 80 cm de altura.

Os miniporcos podem ser até criados dentro de casas ou apartamento, desde que haja um espaço para eles brincarem e se exercitarem, para não acumular mais gordura do que o necessário. Mas se o local for pequeno, não é difícil, nesses casos é recomendado que leve o pequeno para passear, estimulando o exercício e para não estressar ele, por ficar muito tempo dentro de casa.

Existe a ração própria para eles, que segue a linha dos leitões (ração 801), mas eles também podem se alimentar de uma maneira saudável com legumes, verduras, grãos, evitando dar restos de comida a eles, apenas uma alimentação fresca, já que eles podem ter uma intoxicação, devido à quantidade de sódio que usamos na nossa comida.

Os porcos domésticos, apesar de ser popularmente chamado de porco, por serem sujos, eles são animais bem limpinhos, é preciso dar banho neles toda semana, de preferência, utilizando um shampoo neutro e enxaguando. Além disso, o porquinho tem uma pele bem sensível, na qual é preciso ter certos cuidados, como usar protetor solar e hidratante, todos os dias.

Esses bichinhos são muito inteligentes e, é possível fazer um adestramento, assim como se faz com os cachorros, para que se tornem dóceis e possam confiar em seus tutores. Esse adestramento deve ser feito enquanto eles ainda são jovens, para que aprendam rápido e não tenham a chance de se tornarem agressivos.

Segundo o site da Animal Planet, o porco está entre os animais de estimação mais inteligentes do mundo, podendo ser facilmente adestrados. Sim, eles são mais inteligentes do que os próprios gatos e cachorros!

No começo, demoram a se adaptar com os donos e o ambiente, mas são, em sua grande maioria, bem carinhosos e inteligentes, tanto com seus donos, quanto com outros animaizinhos, depois que se acostumam com a presença. Mas, para isso, o tratamento com eles deve ser da mesma forma, com muito carinho.

Porém eles são bem barulhentos quando insistem em alguma coisa. Então, caso você more em uma casa ou condomínio que tenha em suas regras que não pode ter animais barulhentos, eles não são uma boa escolha.

E, aos futuros tutores alérgicos, podem ficar despreocupados, pois, como não possuem pelos, como os gatos e cachorros, facilita na convivência com o seu animalzinho.

Entretanto, apesar do grande crescimento na procura por este pet para serem criados como animais de estimação, a verdade é que ainda se sabe pouco sobre o assunto no Brasil. Muito mais difundido na Europa e nos EUA, o Brasil ainda é um país que vem engatinhando na literatura científica a respeito do minipig. Visando esta carência, surgiu a ideia de fazer um encontro que abordasse os diversos aspectos de um minipig para uma vida mais saudável, longa, cheia de energia de amor. “Nossa expectativa é que este evento cresça cada vez mais e, quem sabe, possa acontecer em outros locais do Brasil, já que temos porquinhos como pets espalhados por todo o país”, esclarece a médica-veterinária especialista em minipigs, Izabelle Oliveira.

 

Venda e aquisição responsável

De acordo com o estudo “Esforços para o combate de animais silvestres no Brasil”, o comércio de vida silvestre, incluindo a fauna, a flora e seus produtos e subprodutos, é considerado a terceira maior atividade ilegal do mundo. Estima-se que cerca de 38 milhões de exemplares sejam retirados anualmente da Natureza e que aproximadamente quatro milhões deles sejam comercializados, isso somente no Brasil.

Embora sejam inúmeras as consequências do tráfico, quem busca um animal de estimação deve ainda considerar o risco de transmissão de doenças graves, visto que não há controle sanitário dessas espécies, e o incentivo de um negócio ilegal, que aumenta o risco de extinção de espécies e abandono de animais.

Segundo a sócia-proprietária do HiperZoo, o ideal é que o interessado procure um criador ou loja autorizada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e, na aquisição, solicite o certificado de origem do animal, número de autorização de manejo do criador ou do estabelecimento, além de exigir nota fiscal. O pet center é um dos poucos estabelecimentos de Curitiba autorizados a comercializar animais exóticos e silvestres e conta com consultório com veterinário especializado e profissionais aptos a orientar os clientes na escolha do animal de estimação. “Procuramos sempre avaliar a rotina e disponibilidade do cliente para verificar se ele se ajusta ao perfil do animal que está interessado, bem como alertá-lo sobre os cuidados necessários e expectativa de vida do bichinho”, comenta Patrícia.

 

 

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