Felinos
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31 de out, 2026
MEDICAR GATOS EXIGE TÉCNICA, PACIÊNCIA E ORIENTAÇÃO
NP
Redação
Negócios Pet
Pesquisa internacional revela que 35% dos tutores já não conseguiram concluir um tratamento e mostra como a dificuldade para administrar medicamentos pode comprometer a saúde e a relação com o animal.
Dar um medicamento para um gato pode se transformar em um verdadeiro desafio. Resistência, tentativas de fuga, mordidas, arranhões e até a recusa do alimento misturado ao remédio são situações comuns relatadas por tutores. Mais do que uma dificuldade da rotina, porém, esses episódios podem comprometer a continuidade de tratamentos importantes.
Uma pesquisa internacional, que reuniu 2.507 respostas de 57 países, mostrou que 78,7% dos participantes já tiveram problemas com gatos que cuspiram o comprimido. Além disso, 77% relataram tentativas de mordida ou arranhão durante a administração do medicamento.
O levantamento também revelou um dado preocupante: 35% dos tutores afirmaram que não conseguiram completar algum tratamento. Outros 52% disseram que a experiência de medicar o gato chegou a afetar a relação com o animal.
Para Carollina Marques Simões Fernandes (CRMV-SP 41741), médica veterinária da WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil, a dificuldade não deve levar o tutor a interromper o tratamento ou alterar a forma de administração por conta própria.
“Se o gato cospe parte do comprimido, vomita logo depois ou se esconde sempre que percebe a aproximação do tutor, não é seguro repetir a dose ou suspender o medicamento por conta própria. O médico-veterinário precisa ser informado e avaliar a melhor alternativa para cada paciente. Mudanças na apresentação ou no tratamento podem ser mais adequadas, assim como orientações específicas podem facilitar a rotina”, explica.
COMPRIMIDOS SÃO MAIS DIFÍCEIS
Segundo a pesquisa, os comprimidos foram considerados mais difíceis de administrar do que os medicamentos líquidos. Entre os participantes, 53% disseram preferir formulações líquidas, enquanto 29,3% optaram pelos comprimidos.
Misturar o medicamento à comida também nem sempre é uma solução. No levantamento, 71,7% dos tutores afirmaram que o gato recusou o alimento com o remédio. Além disso, quando o animal não consome toda a porção, não é possível garantir que tenha recebido a dose correta.
A estratégia ainda pode fazer com que o gato passe a rejeitar posteriormente aquele alimento. Por isso, qualquer mudança na forma de oferecer o medicamento deve ser orientada pelo médico-veterinário.
Nem todo comprimido pode ser triturado ou dividido, assim como algumas cápsulas não devem ser abertas. Há formulações que dependem de sua estrutura original para liberar o princípio ativo corretamente e medicamentos que não podem ser misturados a determinados alimentos.
“O ideal é que haja sinergismo entre o tutor, o paciente e o veterinário. Cabe ao veterinário demonstrar qual é a melhor técnica para o fornecimento da medicação para aquele paciente. Em caso de dificuldades, o tutor deve informar imediatamente ao médico para que sejam avaliadas possíveis mudanças na apresentação, na técnica ou na medicação”, orienta Carollina.
ORIENTAÇÃO FAZ DIFERENÇA
O estudo mostrou ainda que 50,7% dos tutores recebiam orientações sobre como administrar os medicamentos apenas algumas vezes ou nunca. Entre aqueles que receberam explicações, 92% consideraram as informações úteis.
Para reduzir o estresse durante a administração, a recomendação é preparar previamente o medicamento, escolher um ambiente tranquilo e evitar perseguições pela casa. Também é fundamental seguir exatamente a dose e os horários prescritos, verificar se o animal realmente engoliu o medicamento e observar possíveis reações.
Quando houver resistência intensa, salivação excessiva, vômito, dificuldade para respirar ou mudança repentina de comportamento, o médico-veterinário deve ser procurado. Forçar repetidamente a contenção pode causar ferimentos no tutor, aumentar o medo do gato e tornar as próximas doses ainda mais difíceis. O objetivo deve ser encontrar uma forma segura e menos estressante de realizar o tratamento.
CUIDADOS NA ROTINA
🐱Peça ao médico-veterinário uma demonstração da técnica indicada.
🐱Confirme se o medicamento pode ser oferecido com alimentos.
🐱Não triture ou divida comprimidos nem abra cápsulas sem autorização profissional.
🐱 Prepare a dose antes de se aproximar do gato.
🐱 Escolha um local tranquilo e evite perseguições.
🐱 Observe se o medicamento foi realmente engolido.
🐱 Faça um reforço positivo após a administração, com carinho, petisco, alimento ou brincadeira.
🐱 Não repita a dose se o gato cuspir ou vomitar sem consultar o médico-veterinário.
🐱 Nunca substitua comprimidos por medicamentos líquidos ou manipulados por conta própria.
🐱 Informe qualquer dificuldade ao profissional antes de interromper o tratamento.
🐱 Procure atendimento diante de reações inesperadas ou piora do quadro.