Banho e Tosa 17 de Jul, 2026

O Fim da Escala 6x1: Quem Vai Pagar Essa Conta?

NP

Redação

Negócios Pet

O debate sobre o fim da escala 6x1 vai além das relações de trabalho. Para o setor pet, a grande questão é como equilibrar qualidade de vida para os colaboradores sem comprometer a sustentabilidade dos pequenos negócios.

Sou favorável a avanços sociais. Mas reduzir a jornada de trabalho sem compensação tributária transfere um custo que, no Brasil, acaba recaindo sobre quem mais gera empregos: o pequeno empresário.

Toda mudança trabalhista passa por dois momentos: o debate no Congresso e a conta chegando à empresa. Com a proposta de acabar com a escala 6x1, o setor pet não ficará de fora.

Faço questão de deixar claro desde o início: sou favorável a medidas que melhorem a qualidade de vida do trabalhador. O problema não é a redução da jornada, mas a ausência de medidas que aliviem o impacto financeiro para quem emprega. Em um país que já convive com uma das maiores cargas tributárias e com uma das burocracias fiscais mais pesadas do mundo, criar novos custos sem oferecer compensações preocupa, especialmente os pequenos negócios.

O impacto para o setor

A PEC 221/2019 propõe reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, garantindo duas folgas semanais. Estudos da Confederação Nacional da Indústria estimam aumento dos custos com mão de obra, especialmente nos setores de comércio e serviços, onde estão pet shops, clínicas veterinárias e centros de banho e tosa.

Para empresas que trabalham com equipes reduzidas, qualquer alteração na escala representa um desafio. Muitas terão de contratar novos funcionários ou reorganizar a operação para manter o atendimento.

O peso do sábado

No mercado pet, o sábado é um dos dias mais importantes da semana. É quando a maioria dos tutores leva o animal para banho, tosa, consultas ou faz compras de produtos.

Com equipes pequenas, comuns entre os pet shops independentes, garantir duas folgas semanais pode significar menos profissionais disponíveis justamente nos dias de maior movimento. Para muitos empreendedores, que acumulam funções de gestão e atendimento, essa reorganização não será simples.

O que outros países mostram

Experiências internacionais demonstram que jornadas reduzidas podem trazer benefícios como maior produtividade, menor rotatividade e melhora na qualidade de vida dos colaboradores.

Entretanto, há uma diferença importante: em muitos desses casos, a mudança ocorreu de forma voluntária, planejada e, em alguns países, acompanhada de incentivos públicos para ajudar as empresas durante a transição.

No Brasil, a preocupação é que a mudança ocorra por obrigação legal, sem medidas que reduzam os custos para os empregadores.

Automação ajuda, mas tem limites

A tecnologia certamente pode aumentar a eficiência operacional. Agendamentos online, prontuários digitais e sistemas automatizados reduzem tarefas administrativas.

Porém, boa parte das atividades do setor pet depende diretamente da atuação humana. Banho, tosa, atendimento veterinário e relacionamento com os tutores são serviços que não podem ser substituídos pela tecnologia.

Planejamento será essencial

O debate sobre o fim da escala 6x1 vai além da redução da jornada. A questão central é como tornar essa mudança sustentável para empresas e trabalhadores.

Caso a proposta avance, seria importante que viesse acompanhada de medidas como desoneração da folha de pagamento, simplificação tributária e redução da burocracia para pequenas empresas.

Enquanto isso não acontece, o empresário do setor pet precisa se preparar. Revisar processos, reavaliar custos, reorganizar escalas e investir em produtividade serão medidas fundamentais para enfrentar um cenário que, ao que tudo indica, tende a fazer parte da nova realidade do mercado.

Robson Schuler –
Mentoria e Consultoria – Ecossistema Pet Vision @robson_schuler Whats: (21)98700-5333

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