Existe um ponto delicado e muitas vezes ignorado na medicina veterinária moderna: tratar a doença não é o mesmo que sustentar a vida. Cães e gatos adoecem, sim. Tumores surgem, inflamações avançam, diagnósticos difíceis chegam. E a medicina convencional tem seu valor inquestionável. Mas há algo que ela, sozinha, não consegue fazer: nutrir o organismo para atravessar o tratamento com vitalidade, equilíbrio e dignidade biológica.
É nesse espaço que entram a ortomolecular, a alimentação funcional e as terapias integrativas e holísticas. Não como oposição à quimioterapia ou à radioterapia mas como suporte essencial para que o corpo do animal consiga responder melhor a elas.
A ortomolecular parte de um princípio simples e poderoso: as células precisam das moléculas certas, na dose certa, para funcionar corretamente. Quando um cão ou gato enfrenta uma doença crônica ou um câncer, suas mitocôndrias verdadeiras usinas de energia celular estão sob ataque constante: inflamação, estresse oxidativo, toxicidade medicamentosa. Sem suporte nutricional adequado, o organismo entra em colapso silencioso.
Não se trata de escolher entre ciência e natureza. Trata-se de usar ciência para respeitar a biologia.
ALIMENTAÇÃO FUNCIONAL: O QUE O CORPO FAZ COM O QUE COME
A alimentação é informação. Cada nutriente envia sinais bioquímicos que ativam ou silenciam vias metabólicas. Em cães e gatos doentes, alimentar não é apenas manter peso é modular inflamação, imunidade e metabolismo tumoral.
Dietas funcionais, ricas em compostos antioxidantes, ácidos graxos anti-inflamatórios, aminoácidos estratégicos e suporte intestinal, demonstram efeitos positivos na resposta ao tratamento oncológico e na qualidade de vida. Estudos mostram que o estado nutricional influencia diretamente a tolerância à quimioterapia, a resposta imune e até o prognóstico.
Além disso, o intestino frequentemente negligenciado é um órgão imunológico central. A modulação da microbiota pode reduzir efeitos colaterais gastrointestinais da quimioterapia, melhorar absorção de nutrientes e modular inflamação sistêmica.
EVIDÊNCIA CIENTÍFICA:
- Ogilvie et al., Journal of Veterinary Internal Medicine: demonstraram que cães com câncer alimentados com dietas específicas apresentaram melhor sobrevida e qualidade de vida quando comparados a dietas convencionais.
- Weeth et al., Veterinary Clinics of North America: destacam o papel da nutrição funcional como parte integrante do manejo oncológico veterinário.
A comida deixa de ser coadjuvante e passa a ser estratégia terapêutica.
ORTOMOLECULAR E TERAPIAS INTEGRATIVAS: PROTEGER QUEM ESTÁ LUTANDO
Quimioterapia e radioterapia salvam vidas mas cobram um preço metabólico alto. O dano oxidativo, a exaustão mitocondrial e a imunossupressão são reais. Ignorá-los é comprometer o sucesso do próprio tratamento convencional.
A ortomolecular atua justamente onde a agressão ocorre:
- Neutraliza excesso de radicais livres
- Sustenta função mitocondrial
- Preserva tecidos saudáveis
- Apoia fígado, rins e sistema nervoso
Quando associada a terapias integrativas como fitoterapia baseada em evidência, fotobiomodulação, suporte bioenergético e técnicas reguladoras do sistema nervoso o organismo do pet entra em estado de adaptação, não de colapso.
EVIDÊNCIA CIENTÍFICA:
- Vail et al., Veterinary Oncology: descrevem que abordagens multimodais, incluindo suporte nutricional e antioxidante, reduzem efeitos adversos e aumentam adesão ao tratamento oncológico.
- National Research Council (NRC): reconhece que necessidades nutricionais mudam drasticamente em estados patológicos, exigindo ajustes terapêuticos individualizados.
Isso não é “alternativo”. É medicina ampliada.
UM CONVITE AOS TUTORES E AOS VETERINÁRIOS: COMPLEMENTAR É CUIDAR MELHOR
Aos tutores, fica uma verdade difícil, mas libertadora: amar não é apenas tratar, é sustentar o corpo que luta.
Quando você complementa o tratamento do seu cão ou gato com ortomolecular, alimentação funcional e terapias integrativas, você não está “substituindo” a medicina tradicional. Você está dando ao organismo ferramentas para sobreviver, responder e se recuperar.
Aos veterinários, o chamado é ético e científico: não precisamos escolher lados.
A medicina do futuro e do presente é integrativa, personalizada e centrada no paciente como um todo. Complementar tratamentos não diminui a quimioterapia ou a radioterapia. Pelo contrário: potencializa seus resultados e humaniza (sem antropomorfizar) o cuidado.
Porque no fim, a pergunta não é: “Qual protocolo usamos?”
Mas sim: “Esse corpo está sendo sustentado para viver?”
Quando nutrição, ortomolecular e terapias integrativas caminham ao lado da oncologia, a cura deixa de ser apenas um objetivo clínico — e passa a ser uma experiência mais digna, equilibrada e possível para cães e gatos.
REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
- Ogilvie, G. K. et al. Effect of dietary modification on survival of dogs with lymphoma. Journal of Veterinary Internal Medicine.
- Vail, D. M. et al. Cancer treatment in small animals: principles and multimodal approaches. Veterinary Oncology.
- Weeth, L. P. et al. Nutrition and cancer in veterinary patients. Veterinary Clinics of North America.
Dra Glauce Carreira
Pós graduada em Ortomolecular e Alimentação funcional com Formação em Modulação Intestinal, Florais Quânticos. Professora e coordenadora de 1ª pós graduação no Mundo de Med Ortomolecular e Modulação Intestinal na Veterinária pelo IDEPES.
CEO do Instituto Wellness Pet, o maior centro de terapias integrativas e holísticas para Pets exóticos e Silvestres do País.
Informações: (11) 98915-3162








