O mercado pet brasileiro tem crise de visibilidade. E o empresário que ainda trata marketing como luxo, algo que se pensa “quando sobrar” está, na prática, financiando o crescimento do concorrente que entendeu isso antes.
Bom serviço não se vende sozinho. Nunca se vendeu.
Tem uma história que ouço com frequência nas consultorias que faço. O empresário me chama, movimento caiu, o mês está feio. Aí pergunto: o que você faz para que novos clientes te encontrem? Silêncio. Às vezes uma resposta vaga sobre o Instagram. E quando abro o perfil, o último post é de três meses atrás.
A crença de que bom serviço se vende sozinho é a mais cara do mercado pet. Não porque seja burra, ela tem uma lógica emocional, a ideia de que quem faz bem feito não precisa se promover. O problema é que o mercado não funciona assim. Nunca funcionou. O que mudou é que a invisibilidade hoje é punida muito mais rápido do que antes. O Brasil tem hoje mais de 170 milhões de animais domésticos e um mercado que movimentou R$ 78 bilhões em 2025. Terceiro maior do mundo. Isso representa uma oportunidade real, mas também uma concorrência cada vez maior. Em praticamente todo bairro de uma cidade média há diversas opções de pet shop, groomer e clínica veterinária. O tutor dificilmente procura o melhor; ele escolhe quem aparece primeiro, quem tem mais avaliações positivas ou quem foi indicado por alguém de confiança. E, se o seu negócio não está nesse radar, para o cliente ele simplesmente não existe.
Uma pesquisa de 2024 feita em parceria entre Google e ABINPET mostrou que mais de 70% dos tutores buscam informações sobre serviços pet online antes de visitar qualquer estabelecimento. Não é uma tendência. É o comportamento padrão do cliente que você quer atrair.
| Quem não investe em marketing | Quem investe, mesmo que pouco |
|---|---|
| Concorre com todo mundo pelo mesmo cliente | Escolhe com quem quer trabalhar e cobra por isso |
| O sábado fraco não tem explicação | Sabe exatamente de onde o cliente veio e por que voltou |
| Promoção é a única alavanca que conhece | Lançamento, conteúdo e indicação geram movimento sem desconto |
| Some do radar quando o mês aperta | Cresce justamente quando o mercado fraqueja |
| O cliente sumiu, não sabe por quê | Sabe o nome, o histórico e o pet de cada cliente fiel |
| Invisível pra quem não passa na porta | É o primeiro nome que aparece quando alguém pesquisa na região |
O tutor mudou. A maioria dos empresários não.
O tutor de hoje não para na vitrine. Não pede indicação só para a vizinha. Ele vai ao Google Maps, lê as avaliações, olha as fotos, passa pelo Instagram, vê se o perfil tem vida e só então decide se vai ligar. E quando liga, já chegou com uma expectativa formada. Com uma opinião sobre você que você nem sabia que estava sendo construída.
O relatório Digital 2025: Brazil, da We Are Social e Meltwater, revela que o Brasil possui 183 milhões de internautas e 144 milhões de perfis ativos nas redes sociais. O brasileiro dedica, em média, 3 horas e 32 minutos por dia às redes sociais, tempo gasto entre Instagram, TikTok, Facebook e grupos de WhatsApp. É justamente nesses ambientes que muitos tutores descobrem, pesquisam e escolhem onde levar seus pets. Estar fora desse universo digital deixou de ser apenas uma opção de marketing. Hoje, significa correr o risco de simplesmente não entrar na lista de escolhas do cliente. E o detalhe que mais me incomoda quando visito pet shops: muitos têm serviço excelente, equipe treinada, estrutura bacana. Mas o Instagram tem 400 seguidores, o Google tem duas avaliações, o WhatsApp demora horas para responder. O trabalho existe. A reputação digital, não. E é a reputação digital que o novo cliente vê primeiro.
Quatro coisas que separam quem cresce de quem sobrevive
Não existe fórmula mágica. Mas existe método e o método começa com algumas verdades que o mercado pet de resultado não abre mão.
A primeira delas é que posicionamento vem antes de qualquer anúncio. Impulsionar post sem saber com clareza para quem você trabalha, o que te diferencia e por que alguém deveria te escolher é gastar dinheiro sem saber onde está o foco. Antes de qualquer campanha, precisa existir uma resposta honesta para a pergunta mais básica do marketing: por que você, e não o pet shop na esquina? Se a resposta for “porque sou mais barato”, você tem um problema maior do que o marketing.
Um pet shop que se especializa em raças de pelo longo, por exemplo, não precisa brigar com o estabelecimento que faz de tudo. Ele atrai um público específico, cobra por isso e constrói uma reputação que o genérico nunca vai ter. Nicho não é limitação. É a forma mais inteligente de parar de competir por preço.
A segunda verdade é que constância vence intensidade. Postar todo dia por duas semanas e sumir por dois meses destrói autoridade mais rápido do que não postar nada. O algoritmo penaliza a inconsistência, mas, mais do que ele, quem penaliza é o tutor. Um perfil parado transmite a impressão de um negócio parado. Publicar três vezes por semana, com conteúdo relevante e consistente, gera muito mais resultados do que uma campanha brilhante que aparece uma vez e depois desaparece.
Terceiro ponto, e esse é o mais subestimado de todos: prova social é a propaganda mais poderosa que existe no setor pet. Pesquisa da Nielsen de 2023 mostrou que 92% dos consumidores confiam mais em indicação de outros clientes do que em qualquer publicidade paga. No mercado pet esse número provavelmente é mais alto ainda porque a decisão envolve um ser que a pessoa ama, e nenhum tutor responsável arrisca o animal num lugar que ninguém referenciou. A estratégia mais simples do mundo: ao final de cada atendimento que correu bem, peça a foto, peça o vídeo, e peça a avaliação no Google naquele momento (isso faz toda diferença), não depois. A euforia do tutor satisfeito dura poucos minutos, então aproveite. Eu mandei fazer um cartão, onde o cliente aproxima o celular e já vai direto para a página da loja.
O quarto ponto é sobre prioridade de canal. Antes de pensar em campanha nacional, em influenciador, em anúncio para o Brasil inteiro, preencha bem o Google Meu Negócio. É gratuito, aparece antes do site nos resultados de busca e 76% das buscas locais resultam em visita nas próximas 24 horas, segundo o próprio Google. Um pet shop do Méier-RJ não precisa de seguidor em Curitiba-PR. Precisa ser a primeira opção que aparece quando alguém no Méier digita “banho e tosa perto de mim” às oito da manhã de um sábado.
COMO O TUTOR DECIDE ONDE LEVAR O PET HOJE
- Abre o Google Maps, digita “pet shop” e olha as estrelas antes de ler qualquer coisa; perfis com menos de 4,5 estrelas são ignorados por 60% dos usuários (BrightLocal, 2024).
- Entra no Instagram ou TikTok para ver se o lugar tem cara de ativo, de cuidadoso, de profissional de verdade.
- Pergunta no grupo do bairro no WhatsApp, a indicação de quem mora perto tem peso que nenhum anúncio substitui.
- Manda mensagem no WhatsApp e avalia a resposta: demorar mais de 30 minutos reduz em 40% a chance de conversão.
- Só depois de tudo isso decide ligar. E quando liga, já chegou com preferência formada.
















