Especialista alerta para espécies muito utilizadas no paisagismo que podem causar intoxicações e ensina como criar jardins mais seguros.
Um jardim bonito também pode ser um ambiente seguro para toda a família — incluindo cães, gatos e crianças. No entanto, algumas plantas ornamentais bastante comuns escondem riscos que muitas vezes passam despercebidos.
Segundo a paisagista Simone Arthur Nascimento, idealizadora do projeto Jardim do Bicho, diversas espécies amplamente utilizadas em jardins residenciais possuem potencial tóxico e merecem atenção especial.
“O objetivo não é eliminar as plantas dos jardins, mas fazer escolhas mais conscientes, considerando quem utiliza aquele espaço diariamente”, explica a especialista.
Conheça cinco plantas que exigem atenção
Cycas revoluta (Palmeira-sagu): Apesar da aparência semelhante à de uma pequena palmeira, é considerada uma das espécies mais perigosas. Suas sementes concentram substâncias altamente tóxicas que podem provocar lesões graves no fígado, alterações neurológicas e até levar à morte em casos de ingestão.
Cyclamen (Ciclame): Muito utilizado em vasos e canteiros, apresenta maior risco no tubérculo, que fica enterrado e pode ser desenterrado por cães. A ingestão pode causar irritação digestiva intensa e, em casos graves, alterações neurológicas.
Brunfelsia uniflora (Manacá-de-cheiro): Conhecida pelas flores perfumadas, pode provocar desde vômitos e diarreia até tremores, perda de coordenação e convulsões quando ingerida.
Allamanda cathartica (Alamanda): Muito presente em jardins tropicais, possui seiva irritante e pode causar vômitos, diarreia e irritações na pele e nos olhos após contato ou ingestão.
Lantana camara (Lantana): Embora seja uma planta bastante popular, folhas e frutos podem provocar intoxicação, com destaque para alterações hepáticas, além de vômitos, diarreia e apatia.
Como reduzir os riscos no jardim
Alguns fatores aumentam as chances de acidentes:
- plantas com sementes, frutos ou tubérculos acessíveis;
- filhotes e animais que costumam mastigar plantas; cães que escavam vasos e canteiros;
- crianças pequenas em áreas de lazer;
- plantas tóxicas instaladas próximas a playgrounds, pet places e áreas de circulação.
Em caso de intoxicação
Se houver suspeita de ingestão de uma planta tóxica:
- não provoque vômito;
- não ofereça leite ou receitas caseiras;
- retire apenas os resíduos visíveis da boca, se for seguro;
- lave a região com água em caso de contato com a seiva;
- fotografe a planta ou leve uma amostra para facilitar a identificação; procure imediatamente atendimento veterinário ou médico.
Jardim bonito também pode ser seguro
De acordo com Simone Arthur, a solução não é eliminar as plantas ornamentais, mas planejar melhor os espaços.
Escolher espécies menos tóxicas, considerar o comportamento dos animais e das crianças e conhecer os riscos de cada planta são medidas simples que ajudam a criar jardins mais seguros, preservando tanto a beleza do paisagismo quanto o bem-estar de toda a família.
Sobre a autora
Simone Arthur Nascimento é paisagista, pesquisadora independente e advogada. Sócia da DSN Paisagismo e Consultoria, dedica-se ao estudo da toxicidade de plantas ornamentais e é idealizadora do projeto Jardim do Bicho, iniciativa voltada à criação de ambientes mais seguros para pets e crianças.















