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Aquarismo – Imunização e Saúde

Uma prática bastante utilizada e que está chegando cada vez mais aos animais aquáticos.

A criação de peixes ornamentais, embora seja uma prática antiga, ainda possui diversas áreas relativamente novas, que necessitam de aprimoramento e de mais estudos para garantir a saúde e longevidade dos peixes e demais organismos aquáticos.

Umas destas áreas é a área da sanidade, que engloba a imunização e prevenção contra doenças. A imunização, bem como a vacinação, é uma prática bastante utilizada e está chegando cada vez mais aos animais aquáticos e visa o aumento de anticorpos circulantes no organismo do animal, combatendo os agentes maléficos causadores de doenças.

Assim como para os humanos, uma vacina ideal deve conferir forte imunidade e por período prolongado (Tizard, 2002). O imunógeno utilizado na vacina não é patogênico em si, mas pode ser proveniente de microrganismos patogênicos inativados por tratamento químico ou calor, ou ainda atenuados (Parslow, 2004).[userpro_private]

Na aquicultura, a imunização pode-se constituir em uma alternativa ao uso de antibióticos, uma vez que peixes vacinados devem apresentar resistência contra o agente inoculado (Thorarinsson e Powell, 2006).

Dúvidas sobre qual método é o mais eficaz ainda são muito frequentes, porém a eficácia depende de diversos fatores, como por exemplo a idade, a temperatura da água, o método de vacinação, dentre outros. E cada método apresenta vantagens e desvantagens, tais como os custos, a viabilidade, a praticidade e a resposta esperada.

No caso da vacinação, ela pode ser administrada por injeção, por via oral ou imersão. A injeção é uma das formas mais eficazes e confiáveis, porém chega a ser um método muito invasivo e estressante para peixes, podendo apresentar custo elevado (Nakanishi et al., 2002). A vacinação por imersão, na qual o imunógeno é diluído em tanques pequenos e os peixes entram em contato através das mucosas, é muito utilizada em peixes pequenos e em grandes quantidades, entretanto o volume de vacina deve ser muito grande, o que leva a problemas de descarte do resíduo do processo (Nakanishi e Ototake, 1997).

Já vacinação por via oral, incorporada à ração, é um método não invasivo, de custo moderado e que não necessita de mão de obra qualificada para aplicação; porém pode ser não confiável, uma vez que o processo de fabricação da ração pode destruir a eficácia da vacina, fazendo que a vacina não resista ao processo digestivo e não seja absorvida (Thorarinsson e Powell, 2006), além do fato de o peixe possa não se alimentar.

Atualmente já foram autorizadas pela secretaria de defesa agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento alguns registros de vacinas para o uso comercial em peixes no Brasil, assim como as vacinas contra a bactéria Streptococcus agalactiae, que causa quadros clínicos intensos de encefalite e septicemia. Esse avanço é um resultado de uma parceria com o MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura).

As vacinas representam um importante papel no controle de enfermidades das demais espécies de aquáticas e espera-se que em breve possam contribuir para a saúde e maximização da produção de peixes ornamentais. [/userpro_private]

Fonte: 1) Nakanishi, T.; Ototake, M. Antigen uptake and immune responses after immersion vaccination. In: Gudding, R.; Lillehaug, A.; Midtlyng, P. J. et al., editors. Fish Vaccinology. 1997. 2) Parslow, T.G.; Bainton, D. F. Imunidade inata. In: Paslow, T. G.; Stites, D. P.; Terr, A. I.; Imboden, J. B. (Eds.) Imunologia médica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2004. 3) Takahashi J. D. B. Imunomodulação por levamisol na imunidade inata e adquirida de pacu (Piaractus mesopotamicus). 2010. 4) Tizard, I. R. Imunologia Veterinária. Uma introdução. São Paulo: Ed. Roca. 2002. 5) Thorarinsson, R.; Powell, D. B. Effects of disease risk, vaccine efficacy, and market price on the economics of fish vaccination. Aquaculture. 2006.6
Amanda Fernandes é zootecnista pela Unesp/Jaboticabal-SP e estagiária do Caunesp (Centro de Aquicultura da Unesp). Aperfeiçoamento técnico-científico no laboratório de Ciência dos Alimentos e Microbiologia da FCFAR /Unesp. Contato: amandafernanddes2@gmail.com

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