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A importância da suplementação com aminoácidos em animais idosos

A importância da suplementação com aminoácidos em animais idosos

Rute Mercurio

Podemos observar nos dias de hoje que, com o avanço da Medicina Veterinária, das tecnologias e dos protocolos de tratamento, ocorreu um aumento gritante na expectativa de vida dos animais de estimação, trazendo como consequência um aumento também nos números de casos de doenças decorrentes da senilidade nas clínicas veterinárias, como caquexia, câncer, distúrbios neurológicos, problemas hepáticos e renais.

Tendo isso em vista, encontramos na nutrição e suplementação uma das alternativas mais bem-sucedidas quando falamos de preservação da qualidade de vida de animais idosos, com diferentes estudos e relatos mostrando como
o manejo de nutrientes na dieta é capaz de diminuir o ritmo ou impedir a progressão de mudanças metabólicas associadas com a idade.

Neste contexto, as proteínas se apresentam como um dos componentes essenciais que uma dieta para animais idosos deve conter, tendo grande importância no que se refere à prevenção de qualidade de vida destes animais, atuando na
manutenção da massa muscular e do metabolismo dos animais geriátricos.

Para cumprir seu papel no organismo do animal, a proteína contida na dieta deve ser de qualidade e em quantidade suficiente para minimizar os efeitos das perdas naturais de massa muscular magra que ocorrem com a idade, mas, como sabemos, infelizmente não é sempre que as dietas, sejam elas naturais ou comerciais, conseguem suprir as necessidades dos aminoácidos essenciais dos animais idosos, sendo necessário o uso de suplementação.

O papel das proteínas e aminoácidos no organismo dos animais idosos é extremamente abrangente, apresentando intensa participação, principalmente, nas seguintes funções:

Manutenção da integridade da musculatura esquelética

Animais com idade avançada sofrem mudanças na composição corporal como a perda da massa muscular magra e o aumento relativo do tecido adiposo.

Desse modo é importante se atentar para duas estratégias principais:

• A primeira estratégia seria o fornecimento de matéria orgânica para fins de obtenção de energia, com o intuito de diminuir o catabolismo e evitar quebra de aminoácidos do músculo para obtenção de energia.
• A segunda estratégia seria a suplementação do animal com aminoácidos de cadeia ramificada, também conhecido como BCAA (L-leucina, L-isoleucina e L-valina), cuja a reposição deles por via oral restaura as fibras musculares e protege o músculo do catabolismo; com ácidos glutâmico e glutamina, que apoiam a produção dos níveis dos hormônios do crescimento em mais de 400%, aumentando o volume das células musculares e protegendo as células musculares da degeneração e de taurina, que se mostra como uma ótima fonte de energia para o organismo, principalmente em gatos, evitando a necessidade da queima de aminoácidos da musculatura para fornecimento de energia.

Fortalecimento do sistema imunológico

A competência imunológica diminui bastante em animais senis, pois, apesar do número normal de linfócitos, ocorre redução da fagocitose e quimiotaxia, deixando estes animais menos capazes de combater infecções. Neste caso, a glutamina, por ser o principal substrato energético para as células de divisão rápida, como enterócitos e células imunes, participa ativamente na atuação competente das células de defesa do organismo.

Regeneração das vilosidades intestinais

No intestino, ocorre a diminuição do tamanho das vilosidades, da taxa de renovação celular e da motilidade do cólon com o aumento da idade, sendo que essas alterações são mais significativas em gatos do que em cães. Além disso, fatores como estresse gerado por internações de longos períodos de internação com nutrição parenteral pode
agravar o processo de atrofia dos enterócitos.

Para pacientes internados, a fluidoterapia microenteral previne essa atrofia dos enterócitos, mantendo a funcionalidade e integridade do trato digestivo e prevenindo translocação bacteriana e suas consequências. Deve-se ter em mente que o objetivo dessa fluidoterapia não é nutrir o animal, mas sim manter a integridade da estrutura intestinal.

Seja com ou sem o auxílio de sondas, a suplementação de animais idosos com aminoácidos como a glutamina e o ácido glutâmico se mostra extremamente interessante, por atuar como um “combustível” para células de divisão rápida, e promove a regeneração de vilosidades intestinais, inclusive quando fornecidos pela via enteral. A glicina, por sua vez, é um aminoácido que promove a resolução de diarreias e auxilia na absorção de glicose.

Manutenção da função hepática

Animais senis geralmente possuem número de hepatócitos diminuídos, além de fibrose hepática e acúmulo de gordura no fígado como consequência do aumento da gordura corporal.

Para atuar na prevenção, ou diminuir a velocidade de progressão dos problemas hepáticos, a suplementação de aminoácidos, como a metionina, que auxiliam na remoção da infiltração gordurosa do fígado e tem acentuada ação antitóxica e antioxidante; ou como a betaína, também chamada de TMG (trimetilglicina) precursor do DMG que,
associada a metionina e a colina, acelera a remoção da gordura infiltrada no fígado.

Já a colina combina-se com as gorduras e com o fósforo para formar a lecitina, essencial para a produção de lipoproteínas as quais desempenham importante papel na remoção da gordura hepática e no transporte
dos lipídeos. Podendo também ser utilizada para a prevenção da esteatose hepática.

Manutenção da função renal

Apesar de ser um tema controverso, pois muitos profissionais acreditam que deve ser feita a diminuição de proteína em animais idosos para não comprometer a saúde renal, um estudo realizado em Bogotá mostra que a administração de proteínas de qualidade para o animal senil não irá interferir na função renal dele, mesmo que ele já possua algum grau de insuficiência renal, podendo até promover algumas vantagens para a saúde renal. A arginina, por exemplo, é capaz de diminuir a toxicidade da amônia em até 40 vezes, transformando-a em ureia que será excretada posteriormente pelos rins.

Na ausência de arginina na dieta, em poucas horas os gatos apresentarão severos efeitos adversos devido à hiperamonemia, consequentemente a produção de amônia ao invés de ureia, podendo levar o animal à morte.

E já que estamos falando em gatos, estes precisam consideravelmente de mais proteína para manter a massa magra do que o necessário para manter o balanço de nitrogênio, sendo que a recomendação proteica para gatos idosos sadios é de 30% a 45%, recebendo assim proteínas suficientes para satisfazer suas necessidades e evitar a desnutrição calórico-proteica.

Além disso, como já foi citado anteriormente, a taurina é um aminoácido extremamente necessário para gatos, uma vez que estes não são aptos a sintetizar taurina suficiente a partir de outros aminoácidos sulfurosos (metionina e cisteína), e também porque eles, diferentemente de outras espécies, não sintetizam sais biliares através da glicina, somente através da taurina.

Embora os perfis de aminoácidos sejam negligenciados na clínica médica veterinária, este deveria ser o parâmetro mais importante a ser considerado na dieta de animais idosos, assim como sua suplementação.

Portanto, proporcionar quantidades maiores de proteína na dieta é capaz de evitar a perda das reservas proteicas e dar suporte maior ao animal idoso, aumentando a sua capacidade de resposta frente a situações de estresse e frente a diferentes doenças decorrentes do processo de envelhecimento.

Vale lembrar também que é sempre importante optar por suplementos com concentrações maiores (que geralmente apresentam maior custo-benefício), e suplementos de qualidade e de alta palatabilidade, o que vai promover uma melhor e mais rápida resposta terapêutica e na qualidade de vida do seu paciente.

Sobre a autora:
Dra. Rute Mercurio, nutricionista clínica funcional, sócia-fundadora da empresa Ultrabem Cursos para prática clínica na área da saúde. Certificada pelo Institute of Functional Medicine in Applying Functional Medicine in Clinical Practice (AFMCP). Certificada pelo Institute of Functional Medicine in Energy Advanced Practice Module (EAPM). Pós-graduada em Nutrição Funcional. Pós-graduada em Nutrição Ortomolecular. Pós-graduada em Nutrição Clínica.
Equipe de Apoio:
Dr. Andrigo Barboza de Nardi, médico-veterinário atuante na área de Oncologia. Professor no Departamento de Clínica e Cirurgia Veterinária da Unesp Jaboticabal. Pesquisador da equipe Master Minds Inovet. Dra. Bruna Fernanda Firmo, doutoranda da Unesp FCAV – Campus Jaboticabal. Coordenadora Comercial Omnilab, empresa responsável pela área comercial da Inovet. Dra. Karine Kleine Figueiredo dos Santos, médica-veterinária atuante na área de Nefrologia, vice-presidente do Colégio Brasileiro de Nefrologia e Urologia Veterinárias. Dra. Flávia Tavares Manoel, médica-veterinária atuante na área de Endocrinologia e Metabologia, fundadora da ABEV (Associação Brasileira de Endocrinologia Veterinária). Dr. Luis Fernando de Moraes, médico-veterinário e nutricionista. Consultor técnico de produtos nutracêuticos e professor e coordenador do curso de nutrição funcional e medicina nutracêutica de cães e gatos e de diversos cursos de pós-graduação na Medicina Veterinária (Ibra, Bioethicus, Anclivepa, Qualitas, Iman). Dr. Ronald Glaznmann: Co-fundador e diretor de Marketing e Novos Negócios da empresa Inovet; Co-fundador e diretor comercial e de Marketing da empresa Centralvet; Médico-veterinário pós-graduado em Nutrição Clínica pela Uningá– Ipupo/SBE – Sociedade Brasileira de Educação Farmacêutica e Nutracêutica; Pioneiro no conceito de protocolo com suplementos terapêuticos no Brasil, já tendo realizado mais de 1.000 palestras sobre o tema nutrição clínica e suplementação terapêutica, atingindo mais de 20.000 ouvintes nacionais e internacionais. Laís Alonso de Souza: Médica-veterinária formada pela Universidade de São Paulo. Coordenadora de Marketing Júnior na Omnilab – empresa responsável pelo Marketing da Inovet – Compromisso com a Vida. Mateus Simoni: Graduando em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual de Londrina. Estagiário de Marketing na Inovet – Compromisso com a vida.

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