Revista Negócios Pet

O comportamento do Mercado Veterinário na pandemia

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O comportamento do Mercado Veterinário na pandemia

Por: Mirela Luiz

Uma pesquisa realizada pelo Sebrae no início de abril identificou que o segmento de petshops e serviços veterinários chegou a registrar queda de 51% no faturamento.

No entanto, o setor absorveu o impacto que causou a pandemia e já mostra uma recuperação bastante sólida. Desde o início do período de isolamento social, o setor disparou em 30%. A explicação da recuperação é óbvia. Da mesma forma que humanos estocaram alimentos e medicamentos, por exemplo, os donos dos pets também se preocuparam em garantir a alimentação, saúde e bem-estar de seus bichos de estimação.

“O impacto foi pequeno. Na Petland, se compararmos o mês de abril com o mesmo período de 2019, o crescimento foi de 2,4%. O setor pet foi considerado essencial e não tivemos que fechar as lojas e as clínicas veterinárias Dra. Mei, mesmo nos momentos mais críticos da pandemia. Isto mostra a resiliência do setor pet. O animal de estimação ganhou ainda mais importância como membro da família, especialmente agora que as pessoas estão isoladas.

Em relação ao atendimento nas clínicas da Dra. Mei, a queda foi de 20% em abril, retornando em junho ao ritmo normal na maioria das unidades”, revela Rodrigo Albuquerque, CEO do Grupo Brasil Pet, responsável pela operação das franquias Dra. Mei e Petland, do e-commerce Geração Pet, do Centro de Distribuição LogLand e da marca própria de produtos Pet Choice.

De acordo com empresários do segmento, apesar da implantação de restrições e novos protocolos de higiene e segurança, as vendas e atendimentos sofreram uma queda no início da crise, mas depois mantiveram o nível de antes da pandemia e, em alguns casos, até mesmo
aumentaram.

“Quando começou a aumentar o número de casos da Covid-19 no Brasil, a Cobasi diminuiu o horário de funcionamento das lojas e afastou os funcionários que se enquadravam no grupo de risco. Além disso, investiu na higienização e segurança das lojas, colocando totens de álcool em gel em diversos pontos, disponibilizou produtos para limpeza dos carrinhos, reforçou a higiene das áreas comuns, adesivou o chão com orientação de distanciamento entre as pessoas e colocou acrílicos nos caixas para separar o cliente do operador, garantindo a segurança de ambos.

O impacto foi mudando mês a mês, na segunda quinzena de março tivemos um forte aumento das vendas, com cenário de estocagem dos clientes. Já em abril, por conta da estocagem em março, tivemos quedas na venda, sendo recuperada pouco a pouco em maio e, em junho, voltou a normalizar”, descreve a gerente de marketing da Cobasi, Daniela Bochi.

A rede de lojas Petz também sentiu o impacto no começo, mas reformulou toda sua estrutura para atender melhor seus clientes em meio ao caos. “A Petz manteve abertas as lojas de todo o Brasil, porém tomando precauções e adotando todas as medidas de proteção e protocolos de segurança junto aos clientes e colaboradores. Tivemos de redobrar todos os cuidados de higienização para oferecer o máximo de segurança possível na experiência de compra, além de rever o horário de atendimento de nossas lojas, respeitando sempre as peculiaridades de funcionamento estabelecidas pela legislação de cada região. O mais importante foi estabelecer a saúde como prioridade em todas as nossas ações. Isso nos motivou a participar ativamente no combate à Covid-19”, complementa Luciano Sessim, diretor comercial e marketing da Petz.

Na realidade essa ascensão do setor já vem acontecendo nos últimos anos. De acordo com o último levantamento feito pelo IBGE, existem mais de 139 milhões de animais de estimação no país. Antes da pandemia, projetava um faturamento de R$ 20 bilhões em 2020 e se mantinha como o segundo maior
mercado pet do mundo, com 5% da fatia do faturamento global, de US$ 124,6 bilhões.

Com um mercado pet e veterinário que já vinha aquecido como já foi dito, havia a expectativa da expansão de investimentos em produtos e serviços, mas a Covid-19 chegou e freou muitos planos. O setor de serviços veterinários, como nos serviços de saúde pública, tiveram que se adaptar. “As mudanças iniciais foram mais conturbadas, por toda a incerteza que a pandemia trouxe para a sociedade como um todo. Tudo que fizemos necessitou de planejamento rápido e praticamente no escuro, uma vez que se tratou de algo nunca vivido antes.

Os meses de março e abril tiveram um maior impacto econômico, com
queda no fluxo de atendimentos de rotina e emergenciais. No mês de maio já tivemos uma melhora no fluxo, que foi normalizado em junho. No início houve sim uma queda de atendimentos, pois as pessoas realmente ficaram receosas de sair de suas casas e ir a um estabelecimento com maior quantidade de pessoas. Devido ao fechamento de muitas clínicas e pet shops próximos, por falta de funcionários, nosso hospital manteve suas portas abertas para os veterinários que quisessem atender seus pacientes e estivessem sem estrutura física para isso. Dessa forma conseguimos colaborar para que a cadeia se mantivesse mais próxima da normalidade”, conta Livia Romeiro, diretora do Vet Quality Centro Veterinário 24h.

A partir da segunda quinzena de março, quando as autoridades do Governo e de Saúde oficializaram o isolamento social, o Vet Quality Centro Veterinário 24h passou a oferecer atendimentos por videochamadas com apenas o paciente presente, visitas virtuais a pacientes internados, entre outros. “A busca por outras formas de atingir positivamente o cliente teve de ser criada, retomamos os atendimentos com serviços de busca do animal na casa do cliente e atendimentos por videochamadas, apenas com o paciente em nosso estabelecimento. Por este motivo também reestruturamos nosso time com profissionais específicos para aproximarmos nossos parceiros veterinários e dar um suporte bem focado naqueles pacientes que vieram até nós encaminhados por eles”, explica Lívia.

A rede Petz também inovou e criou a campanha contato zero. “Promovemos durante o período de isolamento, a campanha de Contato Zero, onde o cliente podia trazer o seu pet, entregar para nossos veterinários e ficar no carro respondendo um questionário on-line, enquanto o seu pet era examinado. Depois era feito contato telefônico para demais explicações sobre diagnóstico e tratamento e o pet retornava para seu tutor no carro, diminuindo bastante esse contato do cliente com o veterinário”,
conta o diretor comercial e marketing da Petz.

A chegada do coronavírus acabou por frear a expectativa para 2020. A pandemia impactou diretamente no poder de compra dos consumidores em geral e não foi diferente com o pet. No entanto, para o executivo da Petz, a quarentena também trouxe o aumento no número de vendas via web e aplicativos. “A quarentena fez com que os nossos canais digitais aumentassem significativamente e estávamos preparados para atender esta demanda dos consumidores. Em abril/20, atingimos 27% sobre a receita total versus 7,7% em 2019. A procura e as vendas de medicamentos no nosso e-commerce aumentaram acima de 400% a/a no
mês de abril”, revela Sessim.

A mesma percepção sobre o aumento em número de vendas on-line pôde ser sentido pela Cobasi. “Identificamos forte volume de clientes novos no site: ritmo mais do que dobrou em março e mantém esse patamar até hoje. O que mudou no comportamento do consumidor é que ele se tornou omnichannel, além de comprar nas lojas físicas, ele também compra pelo site e aplicativo da Cobasi”, corrobora a gerente de marketing da rede.

Antes da pandemia o segmento on-line estava apresentando um desenvolvimento lento comparado a outros setores. No entanto, os consumidores viram a necessidade de mudar os hábitos e os empresários tiveram que inovar para atender a demanda. “Tivemos um pico de crescimento logo na primeira fase da pandemia e, em determinados
dias, chegamos a superar três vezes mais vendas que o normal. Antes da pandemia, cinco lojas estavam operando no e-commerce e, atualmente temos 40% da rede “plugada” na plataforma. A expectativa é atingir 75% das lojas até o fim do ano. As pessoas viram a necessidade de estarem
“plugadas” e de fazer compras on-line. Registramos um aumento de 1280% nas vendas de produtos veterinários de fevereiro a junho.

Para se ter uma ideia, no mês de fevereiro tínhamos 5 lojas usando a plataforma de e-commerce e no mês de março, quando foi anunciado o isolamento social, chegamos a 32 lojas. Este alto índice é reflexo das pessoas estarem em casa e, desta forma, podem acompanhar melhor o comportamento do seu pet”, complementa o CEO do Grupo Brasil Pet.

Grandes fabricantes de medicamentos veterinários também perceberam que precisavam incentivar seus clientes e ajudá-los nessa luta para continuarem com seus negócios durante esse período de pandemia. A MSD Saúde Animal já tinha um programa de incentivo, mas o adaptou para melhor atender os profissionais. “O AMAVet é um programa que fez um grande sucesso na sua primeira edição e neste momento retorna totalmente aprimorado para as clínicas veterinárias. Ele foi desenvolvido com o objetivo de atender às necessidades individuais dos médicos-veterinários, de uma forma que possibilite o atendimento com excelência aos seus clientes, disponibilizando o melhor em tecnologia e inovação para tratamentos.

A MSD Saúde Animal traz essa iniciativa como uma das contribuições para favorecer o mercado e auxiliar os médicos-veterinários na rotina clínica com aparelhos inovadores e de altíssima qualidade. O programa possibilita melhor retorno financeiro ao estabelecimento. Dessa vez, o programa traz uma customização para que esse profissional tenha acesso a equipamentos que fazem grande diferença na sua atuação e, com isso, possa melhorar a vida das pessoas e a saúde e bem-estar dos animais, que é o propósito da companhia”, declara Daniela Baccarin, médica-veterinária e gerente de produtos pet da MSD Saúde Animal.

O mercado pet e veterinário no Brasil continua animado, apesar da pandemia do coronavírus. Apenas no primeiro trimestre do ano, as vendas on-line do setor cresceram 65%, segundo o Instituto Pet Brasil. Segundo o Instituto Pet Brasil, entre os itens mais vendidos do mercado pet estão rações, produtos veterinários e de higiene e bem-estar. E, por esse motivo, apesar dos tempos nebulosos, os empresários do setor percebem que o momento gerou atitudes benéficas que devem permanecer no pós-pandemia.

“Muitas das mudanças realizadas serão incorporadas à nossa rotina, até mesmo por ter nos trazido um crescimento e desenvolvimento interno muito positivo. A nossa aproximação com nossos parceiros também não será alterada, pelo contrário, vamos trabalhar ainda mais para que isso se torne cada vez mais eficiente para ambos”, avalia a diretora do Quality Centro Veterinário.

O CEO do Grupo Brasil Pet também concorda que aconteceram muitos pontos positivos para o mercado nesses últimos cinco meses. “Para o nosso tipo de negócio os impactos da pandemia foram positivos, inclusive com o Programa de Afiliados, criado durante este período. Em apenas 80 dias de programa, 76 lojas se tornaram afiliadas. E outro ponto relevante é que as relações entre as pessoas e seus pets ficaram ainda mais fortes, abrindo novas oportunidades para todo o setor”, conclui Rodrigo Albuquerque.

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