Você pede exames subsidiários ou tem dó?

“Animais não falam, por isto, os exames falam por eles”.

Venho promulgando esta frase há anos, pois percebo que muitos veterinários deixam de pedir exames por duas razões: Têm dúvidas em qual pedir e por pena do tutor. Quanto à primeira razão, técnica, não comentarei aqui e indico cursos e muita leitura. Falta intelecto a muitos veterinários, que não fazem congressos anuais, pouco vão a palestras e muito menos leem artigos científicos ou livros. Lastimável, triste. Estes estão fadados a perecer, desistir da profissão. Mas até lá vão cometer muitas negligências, imperícias ou imprudências, afetando a vida de toda a classe, denegrindo-a.

Quanto a ter pena do tutor, entende-se a razão. Nossa vocação em cuidar de animais fala mais alto! É triste saber que podemos salvar uma vida cujo tutor prefere sacrificar (por isto não sacrifico mais, sob nenhuma circunstância), ou não permite realizar exames. Nestes casos até se entende a dor do profissional. Porém, outros casos ocorrem, piores, quando o veterinário não pede o exame, querendo economizar para o cliente! Ele quer administrar o bolso do tutor, sem nem menos dar a chance deste último optar pelo exame! Deixar de elencar todos os exames necessários incorre em imprudência! A objeção é do cliente, não do profissional. Peça tudo o que você acredita ser prudente para o diagnóstico. Isto é fazer medicina de ponta, de qualidade.

Quando o cliente fizer objeções, busque entender a razão. Nem sempre ela é financeira, mas do não entendimento verdadeiro da necessidade, por falha na comunicação do profissional. Se for financeira, antes de desistir do exame, o profissional deve explicar ao tutor o que ele perderá em não ter determinado exame ou procedimento. Isto permite ao tutor entender sua parcela de responsabilidade no caso, e muitos voltarão atrás.

Não tente mais fazer a gestão financeira do cliente ou adivinhar se ele vai achar caro. Simplesmente diga o que precisa!

Se ainda assim é difícil para você, por absoluta pena, você precisa melhorar sua atitude em relação “a saber cobrar”. Caridade sempre fazemos, mas não é disto que discutimos neste artigo! Pense na qualidade de seu atendimento!

Prof. Dr. Marco Antonio Gioso FMVZ-USP – www.usp.br/locfmvz

 

 

 

 

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