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Esporotricose: o gato não é o culpado!

Esporotricose: o gato não é o culpado!

Tem circulado algumas notícias no mínimo tendenciosas, ao indicar que o gato é o transmissor da doença esporotricose, sendo que ele, assim como nós, também é uma vítima!

A esporotricose é uma zoonose que afeta seres humanos e diversas espécies de animais domésticos e silvestres. Causada por um fungo chamado Sporothrix schenckii. Ele normalmente entra na pele por meio de cortes ou perfurações de material vegetal contaminado e a infecção geralmente resulta em lesões, mas pode potencialmente se espalhar para outras partes do corpo.

Segundo Lívia Melo, médica-veterinária, pós-graduanda em dermatologia e alergologia e proprietária do pet shop Cia da Ração e Clínica Veterinária São José de Ribamar, é fundamental esclarecer que os gatos não são os responsáveis por essa condição, mas sim, vítimas. Afinal, ela está no ambiente e pode ser transmitida diretamente.

“O gato não é o vilão, todos os animais estão suscetíveis a esse fungo. O contágio é direto, ou seja, ocorre quando se entra em contato com a ferida da pele. Os gatos são infectados quando entram em contato com o fungo no ambiente e, em seguida, podem transmitir a infecção para outros gatos ou até mesmo para humanos por meio de arranhões ou mordidas. Além da arranhadura ou mordedura dos animais doentes, a infecção pode ocorrer também pelo contato do fungo com a pele ou mucosa, por meio de trauma decorrente de acidentes com espinhos, palha ou lascas”, esclarece Lívia.

A importância de entender isso é para evitar o abandono ou a má compreensão dos gatos infectados. Eles precisam de tratamento médico e não representam um risco significativo se forem cuidados de forma adequada. A esporotricose é uma doença tratável, tanto em gatos, quanto em humanos.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico em felinos é feito mediante avaliação veterinária e exames de citologia ou biópsia das lesões. “Nos gatos, as manifestações clínicas da esporotricose são variadas podendo incluir: lesões cutâneas; dor e coceira; secreção nasal e ocular; letargia e perda de apetite. Os primeiros sintomas podem aparecer em até duas semanas, varia conforme o animal”, explica Lívia.

De acordo com a profissional, é essencial ser feito o isolamento do animal para evitar a transmissão. O tratamento nos felinos pode durar alguns meses. “Vai depender do estágio da doença. No mínimo uns 90 dias. O profissional avaliará e recomendará o fármaco mais adequado, geralmente o mais indicado é o itraconazol e o iodeto de potássio via oral e pomada de uso tópico”, destaca.

A médica-veterinária afirma que a esporotricose tem cura. O tratamento envolve o uso de antifúngicos que devem ser prescritos por um médico-veterinário. É importante seguir as orientações médicas para garantir uma recuperação completa. “Deixar feridas sem tratamento pode levar a complicações. Se suspeitar de esporotricose em um gato, imediatamente procure um profissional para obter orientações adequadas sobre o tratamento e cuidados necessários. Para determinar se o felino está curado, é importante realizar exames clínicos e laboratoriais, como culturas para verificar a ausência do fungo causador da esporotricose. O acompanhamento veterinário é crucial para garantir a eficácia do tratamento”, pontua Lívia.

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