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Além do convencional - Um novo mercado se desenha longe dos cães e gatos - e já movimenta milhões

Além do convencional – Um novo mercado se desenha longe dos cães e gatos – e já movimenta milhões

Durante décadas, cães e gatos reinaram absolutos nos lares e no coração do consumidor brasileiro. Mas esse reinado, embora ainda sólido, já não é solitário. Uma revolução silenciosa está em curso no universo Pet, redesenhando o que entendemos por companhia animal. A nova onda? Pets não convencionais – de coelhos e hamsters a aves ornamentais, répteis, peixes e até aracnídeos. Um segmento que, mais do que promissor, revela uma mudança cultural, afetiva e de mercado; em ritmo acelerado!

Em 2024, o setor Pet brasileiro movimentou mais de R$ 70 bilhões, segundo a Abinpet, e projeta um crescimento de 14% até o final de 2025. A fatia de pets alternativos cresce proporcionalmente, revelando um público apaixonado, exigente e, até pouco tempo atrás, negligenciado.

Um público gigantesco, ainda mal atendido e os números não mentem. Segundo o Instituto Pet Brasil (IPB), existem no País: mais de 41 milhões de aves ornamentais, mais de 20 milhões de roedores e pequenos mamíferos e mais de 2 milhões de coelhos.

Marcas com trajetórias consolidadas, como Nutricon e Megazoo, também estão de olho nesse movimento. Ambas têm ampliado seus portfólios e intensificado investimentos em P&D para atender a diversidade biológica dos pets alternativos.

“No contexto comercial e mercadológico, o termo pet não convencional designa espécies mantidas como animais de companhia, mas que fogem ao binômio cão-gato”, explica Vitor Caetano Oliveira, biólogo e Coordenador Comercial da Nutricon. Essa categoria inclui animais nativos e exóticos que devem ser legalizados quando necessário, como, aves, roedores, lagomorfos, peixes ornamentais, répteis e até insetos. Luiz Fernando Albuquerque, CEO da Megazoo, reforça: “Os animais não convencionais, hoje tudo que não é cão e gato, foram reunidos sob essa nova nomenclatura. Antes, eram tratados como silvestres, exóticos ou nativos, mas agora há uma compreensão mais clara e comercial sobre esse universo.”

Diversos fatores explicam esse movimento. A urbanização, com espaços cada vez menores, impulsiona a adoção de animais que demandam menos espaço e manutenção. Mas há também um componente afetivo importante.

Como aponta Renata Gardelin, bióloga e médica-veterinária: “os pets se tornaram membros da família ao longo dos anos, porém muitos têm preferências por pets menos convencionais. A quantidade de pessoas que vem aderindo à criação de roedores como coelho, hamsters, porquinhos-da-índia e de inúmeras espécies de aves vem aumentando. E os entusiastas da vida aquífera, com aquários de água doce e marinhos, recheados de uma gama incrível de espécies, cores, tamanhos e todo tipo de vida.”

Nesse novo ecossistema, surgem iniciativas que combinam propósito, empatia e visão de negócio. É o caso da PIU BOX, startup criada oficialmente em 2024 e pioneira no Brasil ao se dedicar exclusivamente ao bem-estar de pets não convencionais. “A motivação veio de uma necessidade real: como tutoras, sentimos na pele a escassez de opções de qualidade. Antes de sermos empreendedoras, somos apaixonadas por esses animais”, explicam Fernanda Vilas Boas e Katiuscia F. Moreira, fundadoras da marca.

A PIU BOX nasceu da convivência próxima com coelhos, roedores e aves ornamentais — e da frustração de ver prateleiras repletas de produtos genéricos, muitas vezes inadequados. Hoje, a marca importa petiscos naturais premium com certificação formal do MAPA, enfrentando burocracias, custos em dólar e desafios logísticos. “A certificação do MAPA foi uma etapa essencial para consolidar a operação. Os desafios começam já na escolha de fornecedores, passando por documentação, exigências alfandegárias e custos em dólar. Mas, seguimos firmes, com foco total no bem-estar animal”, garantem.

Comportamento, não só consumo

O diferencial das marcas que despontam nesse nicho é a capacidade de compreender o comportamento animal, e não apenas empacotar produtos. “Buscamos resgatar comportamentos essenciais, que muitas vezes são suprimidos em ambientes domésticos. Isso melhora não só a saúde física, mas também o bem-estar emocional dos pets”, dizem Fernanda e Katiuscia.

Esse olhar mais empático e técnico também é refletido na atuação da Nutricon e da Megazoo, que desenvolvem alimentos específicos com base em evidências zootécnicas e critérios nutricionais rigorosos. “A alimentação adequa adequada é um dos pilares para a manutenção da saúde, longevidade e comportamento natural dos animais sob cuidados humanos”, afirma Vitor Caetano.

Na Megazoo, o aumento na procura é visível. “Hoje, observamos uma demanda crescente por alimentos, petiscos, viveiros e ambientes seguros para esses animais. E o interesse dos novos veterinários pelo segmento é cada vez maior”, destaca Luiz Fernando.

O entrave da regulamentação

Um dos principais obstáculos para o avanço do setor está na fragmentação legal. “Cada estado tem sua regulamentação própria para criadores e lojas. Isso dificulta a padronização e o crescimento sustentável do mercado”, aponta Luiz Fernando.

A bióloga e médica-veterinária, Renata Gardelin, chama atenção para os riscos dessa falta de fiscalização: “infelizmente este cenário de espécies que exigem certa regulamentação não é tão fiscalizado como deveria pelos órgãos competentes para este fim, resultando em um alto índice de criação de forma equivocada e aumento do tráfico.” Ela descreve um cenário alarmante: “por vezes, os criadouros clandestinos enviam dezenas de animais (jabutis, papagaios e serpentes) em uma única caixa, sem ventilação, espaço ou temperatura adequadas e, ao chegar aos destinos – normalmente às grandes cidades, poucos são os que sobrevivem à viagem.” E reforça: “nós, veterinários, recomendamos que os pets desejados venham de criadouros devidamente registrados no IBAMA e sigam as normas e procedimentos adequados, com toda a documentação legal desde sua criação até o cliente final.”

Educação como estratégia de transformação

A PIU BOX entendeu isso rápido. Além de produtos, investe em conteúdo educativo, com fichas técnicas acessíveis e informação de qualidade para profissionais veterinários e tutores. “O feedback que recebemos é potente e emocionante. Muitos dizem que nunca tinham encontrado algo tão específico e eficaz para seus animais”, contam Fernanda e Katiuscia.

Para 2025, a tendência é de consolidação e expansão. A empresa já planeja ampliar seu portfólio para novas espécies. “Queremos ser a maior referência em bem-estar de pets não convencionais no Brasil e, futuramente, na América Latina”, declaram as fundadoras.

Com a projeção de crescimento de 14% até 2025, segundo estimativas da Abinpet, o mercado de pets não convencionais exige não só inovação em produtos, mas profissionais especializados, comunicação inteligente e políticas públicas mais eficazes.

“Conhecer as particularidades legais e biológicas desses animais é fundamental para quem deseja se destacar nesse novo cenário”, reforça Vitor Caetano. “Não é apenas um nicho. É um novo modelo de relacionamento entre humanos e animais, com outras necessidades, ritmos e oportunidades.”

A fronteira onde o afeto encontra a inovação

Mais do que uma tendência de consumo, os pets não convencionais revelam uma transformação cultural profunda. Eles simbolizam um novo olhar sobre a vida, o cuidado e a convivência com outras espécies. Para as empresas que souberem escutar esse movimento — e agir com responsabilidade e sensibilidade— há um terreno fértil à espera.

O carinho pelos bichinhos de estimação já não cabe mais em uma definição limitada. E o que parecia exótico, hoje, é apenas uma forma diferente de amar.

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